Você já questionou se equipes de agromarketing 100% remotas conseguem gerar desempenho consistente em setores tradicionais do agro? O novo episódio do Podcast EAG traz relatos práticos, métricas e exemplos aplicáveis para ajudar analistas e gestores de marketing em agroindústrias, revendas, lojas de maquinário, indústrias de insumos e agritechs a avaliar se o remoto total é viável. Aqui você encontrará uma análise crítica das principais vantagens, riscos operacionais, adaptações de processo e ferramentas essenciais — tudo com foco prático para otimizar campanhas, gerar leads qualificados e medir impacto no campo. Se sua equipe já opera parcialmente remoto ou está planejando essa transição, este conteúdo oferece critérios claros para decidir, passos para testar hipóteses e indicadores para avaliar sucesso. Ao final, terá um roteiro aplicável que reduz o risco e maximiza a eficiência da operação remota no contexto agro.
Contexto real e os principais desafios do remoto no setor Agro

A decisão de migrar para remoto total nunca é só uma decisão de RH. No agro, ela atravessa cadeias, suprimentos, logística e, principalmente, confiança. Imagine um time de marketing distante centenas de quilômetros das fazendas, montando campanhas sem ver a terra, sem checar uma aplicação ao vivo. Parece radical? É. Mas também possível. Depende do diagnóstico certo.
Há três pontos que sempre voltam nas conversas com gerentes e analistas: visibilidade de campo, operações integradas e cultura de relacionamento. São questões práticas. Não teoria. E afetam resultados, conversão e até risco reputacional.
Visibilidade de campo. Sem presença física, detalhes somem. O que parece ótimo nos relatórios pode ser um problema na lavoura: pragas locais, práticas de manejo distintas por micro-região, dias de colheita deslocados. Dados agregados escondem essa heterogeneidade. E isso impacta segmentação de campanha, timing de conteúdo e oferta de produtos. É comum que equipes remotas tenham métricas brilhantes, mas leads que não fecham porque o timing técnico estava errado. Frio.
Operações integradas. Campanhas agro dependem de mais do que marketing. Elas precisam do produto certo, do estoque na revenda, do transporte disponível e de um técnico que confirme a recomendação. Quando CRM, ERP e suporte técnico não conversam em tempo real, surge um efeito dominó: lead gerado → promessa feita → suporte falha → cliente frustrado. Isso custa mais do que o investimento em ferramentas. Custa confiança.
Cultura de relacionamento. O produtor rural valoriza encontro, aperto de mão, demonstração no campo. O relacionamento é capital. Você pode nutrir esse capital digitalmente, claro. Mas a transição exige cuidado. Trocar visitas por vídeos frios só funciona se houver credibilidade construída antes. Se não houver, a percepção imediata é de distância. A distância vira desconfiança. Simples assim.
Como diagnosticar se vale a pena testar remoto total? Vou direto ao ponto. Faça estas perguntas e responda com honestidade.
- Seus sistemas CRM, ERP e plataformas de automação trocam informações em tempo real? Sim ou não.
- Existe documentação clara dos processos de campanha, demandas e aprovação de conteúdo? Sim ou não.
- Há rotinas de validação em campo feitas por parceiros locais ou times híbridos? Sim ou não.
Se respondeu “não” a qualquer uma, o remoto total pede adaptações antes de entrar em produção. Não é bloqueio eterno. Mas exige trabalho. E priorização.
Vamos detalhar cada pergunta para transformar diagnóstico em plano:
1) Dados e integração
- Por que importa: decisões baseadas em dados defasados produzem promessas quebradas. Ex.: oferta digital feita sem saber de ruptura de estoque. Resultado previsível: frustração.
- O que checar: latência de atualização de estoque; sincronização de cadastros de cliente entre sistemas; visibilidade de agendas de demonstração técnica.
- Como mitigar rápido: criar um fluxo diário simples que atualize as áreas críticas. Nem tudo precisa ser em tempo real no começo. A partir daí, escalar.
2) Maturidade de processos
- Por que importa: remoto precisa de regras claras. Quem aprova o conteúdo técnico? Quem libera verba para mídia? Quanto tempo isso leva?
- O que checar: mapear passos de ponta a ponta, com proprietários e SLAs. Sem isso, o remoto vira ruído e retrabalho.
- Como mitigar rápido: documente campanhas básicas e crie checklists. Treine por duas semanas. Ajuste. Repita.
3) Mecanismos de validação de campo
- Por que importa: a validação substitui a visita. Sem ela, a equipe remota fica no escuro.
- O que checar: existem parceiros locais confiáveis? Equipe híbrida com representantes de campo? Ferramentas simples de foto, vídeo, checklist técnico?
- Como mitigar rápido: formalize rotinas de parceiros locais. Pagamento por verificação reduz custo e garante qualidade.
Se qualquer um desses pontos estiver frágil, não é fim de linha. É sinal para priorizar. E priorizar é praticidade. Não precisa reinventar a governança inteira. Uma intervenção bem feita em integração e validação costuma liberar 60–80% do caminho rumo ao remoto confiável.
Uma história curta. Uma revenda média em Goiás decidiu testar remoto parcial. Manteve representantes locais para demonstrações técnicas e visitas estratégicas. O time de marketing foi remoto, cuidando de geração de leads e nutrição. Resultado? Custos fixos caíram. Conversão técnica se manteve. A chave: roteiros de validação simples, SLA de resposta técnica em 48 horas e uma rotina semanal com representantes locais. Não foi mágica. Foi trabalho coordenado.
Essa experiência mostra um padrão. O híbrido funciona como ponte. E a ponte tem tacos: processos, SLAs, parceiros e medição. Sem isso, o remoto total vira aposta.
Abaixo, um comparativo direto. Curto. Para ler rápido e agir.
| Item | Risco sem mitigação | Mitigação prática |
|——|———————|——————-|
| Visibilidade de campo | Perda de insights locais | Rotinas semanais com parceiros locais |
| Aprovação técnica | Atrasos e retrabalho | Roteiro de aprovação e SLA interno |
| Relacionamento | Percepção negativa | Programas de visitas trimestrais |
Não ache que essas ações são só operacionais. Elas mudam narrativa entre sua equipe e o produtor. Visibilidade restaura segurança. SLAs trazem previsibilidade. Visitas mantêm o calor humano. Juntos, reduzem o risco.
Algumas práticas que funcionam no campo, e que quase sempre escapam no planejamento remoto:
- Documente exceções. Nem tudo seguirá o fluxo. Registre os desvios e inclua no playbook.
- Use vídeos curtos para demonstrações técnicas. Vídeos bem feitos substituem 50% das visitas iniciais. Mas não todas.
- Estabeleça um canal direto entre representante local e time remoto. Sem burocracia.
- Meça conversão por tipo de interação: digital puro, digital + visita, visita pura. Isso revela onde investir.
E um detalhe prático que muitos esquecem: comunicação. Não só entre sistemas, mas entre pessoas. Times remotos tendem a acumular decisões em threads. Isso gera ruído e atraso. Uma rotina síncrona curta resolve muita coisa. Dez minutos por dia. Objetivo: alinhar pendências críticas.
Se você é analista ou gestor, aqui vai um mini-plano de ação imediato, em 5 passos:
- Faça o diagnóstico das três perguntas. Honestamente.
- Se negativo, priorize integração de dados ou validação de campo. Um dos dois deve entrar primeiro.
- Crie um SLA para respostas técnicas. Comece com 48h.
- Formalize um roteiro de aprovação de campanhas. Checklist obrigatório.
- Teste um piloto híbrido por 90 dias e meça conversão por tipo de contato.
Quero lembrar algo: nem todo projeto remoto precisa ser igual. O que funciona para uma cultura de soja pode não servir a um sistema de pecuária intensiva. Cultura e safra importam. Timing de plantio também. Por isso, personalize testes. E documente.
Se quiser aprofundar sobre práticas de marketing no agro, vá além do óbvio. Uma leitura útil e prática sobre marketing do agronegócio está neste link: marketing do agronegócio. Lá tem perspectiva que ajuda a alinhar comunicação e técnica.
Por fim, um aviso realista: remoto total é possível. Mas não é automático. Requer desenho de processos e provas no campo. Teste. Mensure. Ajuste. E mantenha sempre um fio de contato presencial, ao menos nos primeiros ciclos. Porque no agro confiança não se baixa em um click. Se conquista, visita, checagem, repetição. Trabalho duro. Trabalho que compensa.
Como estruturar processos e métricas para equipes remotas que geram resultado

Havia uma planilha perdida. E um time remoto tentando adivinhar. Foi assim no começo. A narrativa serve.
Quando uma equipe de agromarketing muda para remoto total, o que quebra primeiro não é a tecnologia. É o processo. Falta clareza no fluxo. Falta dono. E métricas viram números soltos, sem significado. Por isso este capítulo entrega um roteiro prático. Direto. Sem floreio.
Comece pelo mapa. Mapeie processos críticos. Não só pense: desenhe. Pegue geração de demanda. Pegue qualificação de leads. Pegue aprovação de campanhas. Pegue suporte técnico. Cada processo precisa de passos claros. Quem inicia. Quem valida. Quem finaliza. Onde para o trabalho quando falta informação. Quando você mapeia, você encontra gargalos. Simples assim.
Exemplo rápido: geração de demanda. Passos mínimos. 1) Brief; 2) Criação; 3) Validação técnica; 4) Aprovação comercial; 5) Disparo. Cada passo tem um responsável e um critério de passagem. Sem isso, o lead some. Ou vira retrabalho.
Defina SLAs e pontos de verificação. Aqui a disciplina conta mais que a tecnologia. Estabeleça tempo de resposta para leads. Defina ciclos máximos para aprovação de criativo. Fixe prazos para validação técnica de material que envolve recomendação de uso no campo. Prazos claros reduzem ruído. E obrigam decisões. Se um item demora mais que o SLA, tem que subir para um gestor. Assim se evita backlog eterno.
Implemente dashboards operacionais que unifiquem dados. Um dashboard operacional não é só bonito. É prático. Converja CRM, analytics e dados de campo. Tenha uma única tela onde se veja pipeline de leads, conversões por canal, taxas de retrabalho técnico e fila de aprovações. Quando o time remoto acessa a mesma fonte, a conversa muda. Passa a ser sobre ação. Não sobre suposições.
Métricas que realmente importam para o agro. Nem tudo que se mede importa. Foque no que impacta receita e confiança no campo.
- Taxa de conversão por canal (digital x presencial). Mensure. Não deixe vaga. Um lead que veio de anúncio pode ter performance diferente de um lead que veio por indicação.
- CPL segmentado por produto e safra. Safra muda comportamento. Produto também. Segmentar evita decisões erradas baseadas em média.
- Tempo médio de resolução de dúvidas técnicas. Se um produtor espera 72 horas por uma resposta técnica, ele perde confiança. E provavelmente não compra.
- NPS ou CSAT entre produtores atendidos. Satisfação é sinal de qualidade do processo, não só do atendimento.
Além disso, meça a qualidade da informação que chega do campo. Percentual de leads com dados completos. Taxa de retrabalho por falta de informação. Esses indicadores mostram se seus processos de coleta estão funcionando.
Ferramentas recomendadas. Não caia na tentação de comprar tudo. Escolha menos e bem integrado.
- CRM com filtros por região e cultura. Isso ajuda a segmentar leads por tipo de lavoura.
- Plataformas de automação com workflows aprovativos. Permitem controlar quem aprova e em quanto tempo.
- Ferramentas de comunicação assíncrona e vídeo. Úteis para demonstrações técnicas e para preservar tempo dos especialistas.
Use integrações simples. Evite silos. Um CRM sem dados de campo vira só um repositório de contatos. Integre formulários de campo, planilhas de parceiros e logs de visitas. A visibilidade melhora enormemente.
Checklist de governança remota. Este é o mínimo que não pode faltar. Sem isso, o remoto vira bagunça.
- Documentação centralizada de campanhas e playbooks. Se ninguém sabe onde está, ninguém segue o processo.
- Calendarização de visitas técnicas e híbridas. Mesmo remoto, plano de visitas mantém relacionamento.
- Protocolos de crise e escalonamento. Quem chama quem quando há problema técnico no campo.
Um diretor de marketing agro certa vez contou: “No piloto, perdíamos 30% dos leads por falta de validação técnica rápida”. Resolveram com um checklist e videochamada de 15 minutos. Resultado: leads convertidos aumentaram e o time ganhou confiança para ampliar o piloto. Histórias curtinhas assim se repetem.
Passo a passo prático para estruturar (resumido, para aplicar hoje)
- Mapeie processos críticos. Use uma ferramenta simples de diagramação. Marque responsáveis.
- Defina SLAs e pontos de verificação. Seja rigoroso nas primeiras 90 dias.
- Implemente dashboards operacionais. Comece com 3 relatórios essenciais: pipeline, SLA compliance, e qualidade de dados.
- Treine papéis. Faça sessões curtas e práticas. Grave vídeos. Tenha roteiros.
- Pilote por 90 dias e meça resultados. Ajuste processos e escalone.
Checklist técnico rápido (para o analista)
- Todos os fluxos têm dono? Sim/Não
- Existe um SLA por etapa? Sim/Não
- Os dados de campo chegam automaticamente para o CRM? Sim/Não
- Há um playbook para validação técnica remoto? Sim/Não
Se respondeu não a mais de uma, pare e corrija antes de escalar remoto total.
Exemplo aplicado: vou contar sem nomes. Uma indústria de insumos implementou um dashboard que cruzava leads digitais com visitas de demonstração. Mediram conversão por tipo de interação. Notaram que leads digitais com follow-up técnico por vídeo performavam quase igual às visitas presenciais. Decisão: priorizar campanhas digitais, com follow-up técnico remoto. Resultado: custo por venda caiu 18%. Não foi mágica. Foi disciplina no processo. E métricas alinhadas.
SLA sugerido — versão prática
| Processo | SLA recomendado | Como operar |
|—|—:|—|
| Resposta inicial a lead | 4 horas | CRM + triagem automática |
| Validação técnica | 48 horas | Video call com checklist |
| Aprovação de campanha | 72 horas | Workflow com notificações |
Esses números não são dogma. São ponto de partida. Ajuste conforme realidade da região e safra.
Sobre comunicação: prefira assincronismo estruturado. Mensagens curtas, tickets claros, gravações de vídeo para demonstração. Reuniões longas enfraquecem. Reuniões curtas aumentam foco. Faça relatórios semanais curtos com insights. Um bom insight vale mais que 10 dashboards.
Governança de conteúdo e conformidade. No agro, recomendações técnicas exigem cuidado. Tenha playbooks claros sobre o que pode ser informado sem validação. E o que precisa passar pela equipe técnica. Documente tudo. Quando se fala de recomendações de uso, a responsabilidade deve ser rastreável.
Como priorizar investimentos. Quando o dashboard mostra gargalos, priorize na ordem: 1) qualidade de dados de campo; 2) tempos de validação técnica; 3) automação de roteamento de leads. Por quê? Dados ruins contaminam indicadores. Validação técnica lenta destrói conversão. Automação só vale se as duas anteriores existirem.
Pequeno ponto sobre cultura. Remoto exige disciplina. Mas exige também ritual. Tenha rituais curtos para alinhar: início de semana com prioridades, fim de semana com retrospectiva breve, e um canal informal para vitórias e erros. Cultura não é luxo. É segurança operacional.
E a medição de impacto? Não confie só em métricas de vaidade. Conecte indicadores de marketing ao resultado comercial. Integre CRM ao ERP quando possível. Olhe para taxa de conversão em venda e custo por venda. Isso muda decisões de investimento.
Se quiser aprofundar a construção de campanhas e a relação com o campo, há leituras úteis sobre marketing no agronegócio que complementam este roteiro. Por exemplo, um guia sobre marketing no agronegócio traz insights práticos para quem precisa alinhar comunicação e vendas marketing no agronegócio.
Por fim, um aviso prático: processos demais podem paralisar. Comece mínimo viável. Aplique, meça por 90 dias, corrija. Repita. É assim que uma operação remota vira confiável. E então escalável. Simples? Nem sempre. Possível? Sim. E com governança certa, o remoto total no agro funciona. Funciona de verdade.
Boas práticas, cases e recomendações para testar o remoto total sem risco

Antes de trocar tudo de lugar e mandar a equipe para casa, faça um experimento. Simples. Controlado. Com métricas. Não é palpite. É um piloto com objetivo claro. E sim, pode dar certo. Ou pode mostrar onde você ainda não está pronto.
Comece por escolher a unidade certa. Procure uma linha de produto com presença digital sólida. Algo que já gere tráfego e leads. Algo com histórico de interações digitais. Por quê? Porque assim você reduz a variabilidade. Menos ruído. Mais aprendizado. Não leve imediatamente o produto mais complexo. Nem o que exige validação técnica presencial constante. Escolha um caso onde o digital já conversa com o campo.
Defina metas objetivas e numéricas. Não metas vagas. Exemplo: reduzir CPL em X% ou diminuir tempo de resposta a leads em Y horas. Combine metas de custo e de experiência. Metas operacionais e de satisfação. Insira prazos. Um cronograma de 90 dias é enxuto e eficiente. Dá tempo para observar tendências. Dá tempo para ajustar playbooks.
Monte a equipe piloto com papéis híbridos. Dois remotos. Um representante local. Esse representante faz a ponte técnica quando necessário. Ele visita de verdade, toca o produto, valida amostras. Ele não precisa fazer vendas em largura. Precisa resolver dúvidas técnicas que só alguém presencial consegue. O resto? Remotos. Atendimento, criação de peças, automação de leads e follow-up por vídeo. Essa configuração reduz risco. Mantém autoridade técnica. Ao mesmo tempo testa se o resto da jornada funciona remotamente.
Estabeleça métricas de sucesso e um relatório semanal. Não seja tímido com números. Liste KPIs principais antes de rodar o piloto. Exemplo: CPL por canal, taxa de conversão por tipo de contato, tempo médio até primeira resposta, CSAT dos produtores, e número de casos escalados para validação presencial. Meça tudo. Reúna dados brutos e análises semanais. Faça reuniões curtas, objetivas, duas vezes por semana. Curtas. Diretas. Use as reuniões para remover bloqueios, não para apresentar slides sem ação.
Colete feedback qualitativo. Pergunte para produtores, distribuidores, representantes locais. Use entrevistas curtas. Use pesquisas rápidas por mensagem. Grave chamadas. Analise padrões. Às vezes os números parecem bons, mas há ruídos no discurso do campo. Isso é valioso. Feedback qualitative mostra o que a métrica não captura. E evita surpresas quando escalar.
Revise e escale com mitigação para riscos encontrados. Se um ponto crítico aparecer, documente e proponha ação. Não varre problema para debaixo do tapete. Faça um plano de contingência. Quem faz o que, quando e como. Regras simples. Escalonamento claro. E então, escale gradualmente. Não jogue todo o time no remoto de uma vez. Vá por fatias geográficas. Por portfólio. Por canais.
Algumas práticas valem como mandamentos no piloto. Comunicação estruturada. Reuniões curtas diárias com pauta. Relatórios semanais com uma página de sintese. Cadeia de responsabilidades clara. Treinamento contínuo. Playbooks técnicos e roteiros de atendimento. Sim, treine. Treine novamente. Use gravações reais para treinar respostas a objeções técnicas. O híbrido continua sendo uma ponte. Agende visitas estratégicas para pontos críticos. Visitas com propósito. Não passeio comercial. Validação técnica, demonstração complexa, negociação final quando necessário.
Um roteiro prático para 90 dias:
- Semana 0: seleção da unidade e definição de KPIs. Simule um dia típico. Ajuste processos.
- Semanas 1–4: operação em piloto. Coleta inicial de dados. Ajustes rápidos em comunicação.
- Semanas 5–8: análise intermediária. Entrevistas qualitativas. A/B de fluxos de atendimento.
- Semanas 9–12: consolidação e decisão. Documentar riscos e plano de escalonamento.
Pequenas vitórias importam. Um produtor satisfeito vale mais que um relatório perfeito.
Dois cases sintéticos ajudam a visualizar. Primeiro: uma revenda agrícola testou o piloto remoto. Resultado? Redução de custo de campanhas em 22%. Taxa de conversão inalterada. Por quê deu certo? Porque integraram representantes locais para validação técnica quando necessário. Os remotos cuidaram do funil inicial, nutrição e agendamento de visitas. Quando o contato exigia prova física, o representante local assumia. Isso manteve credibilidade técnica sem perder escala.
Segundo: uma agritech focada em software colocou marketing totalmente remoto. A equipe era enxuta. Escalou nacionalmente com menos deslocamento e custos administrativos. Mantiveram CSAT alto. Como? Produziram vídeos técnicos sob demanda. Criaram uma biblioteca curta e focada para cada produto. O produtor assistia, tirava dúvidas por chat e marcava uma demonstração técnica apenas quando necessário. A experiência foi fluida. Não perfeita. Mas eficaz.
Se protocolos de atendimento digital e playbooks funcionarem, você terá indicadores claros. Se não, o piloto revela onde falhar. Não é fracasso. É diagnóstico.
Aqui vão boas práticas essenciais, em linguagem prática, para reduzir risco:
- Comunicação estruturada: reuniões curtas diárias. Relatórios semanais em uma página. Checklists para handoffs.
- Treinamento contínuo: roteiros, playbooks técnicos, sessões de roleplay com casos reais.
- Híbrido como ponte: mantenha visitas estratégicas. Não elimine a presença técnica onde ela é necessária.
- Automação com cuidado: roteie leads por região e perfil. Não automatize tudo. Preserve pontos de contato humano.
- Conteúdo curto e técnico: vídeos com 3–5 minutos, checklists de aplicação, FAQs práticas.
- Embaixadores locais: participantes que fazem visitas programadas. Não precisa ser um vendedor. Pode ser um técnico parceiro.
Checklist de decisão após o piloto. Faça estas perguntas e responda com dados:
- Indicadores financeiros alcançaram metas? (CPL, CAC, margem por venda)
- Produtores e distribuidores reportaram atendimento de qualidade equivalente?
- Riscos operacionais foram identificados e são mitigáveis?
Se a resposta for sim para todas, escale. Se houver lacunas, mantenha um modelo híbrido por tempo determinado. Defina metas de melhoria e um cronograma para nova avaliação.
Evite armadilhas comuns. Primeiro erro: querer replicar piloto em escala sem ajustar governança. Segundo erro: ignorar feedback qualitativo. Terceiro erro: reduzir custo sem olhar para qualidade técnica. Lembre-se, no agro a confiança técnica compra negócio. Se isso falhar, nada mais salva.
Algumas implementações táticas que aceleram a validação sem risco:
- Automatizações para roteamento de leads por região. Não só por cadastro, mas por cultura e safra.
- Biblioteca de vídeos técnicos curta por produto. Use títulos diretos. Facilite busca.
- Programas de embaixadores locais para visitas estratégicas. Pagamento por visita validada, não por número de visitas.
Medição é tudo. Combine indicadores quantitativos com sinais qualitativos. Uma planilha com CPL médio não conta a história inteira. Entrevistas com produtores mostram o impacto real. Use ambas.
Governança e documentação devem estar no centro. Centralize playbooks e políticas. Padronize checklists de validação técnica. Defina protocolos de crise. Quem escala? Para quem? Em quanto tempo? Essas regras evitam pânico quando algo dá errado. E algo pode dar errado. Isso não quer dizer abandono.
Integrar o trabalho remoto ao ecossistema do agro exige conteúdo que ajude a vender sem forçar. Conteúdo educativo, orientado à prática, gera autoridade. Se quiser ver como conteúdo gera vendas, confira este material sobre gerar vendas com conteúdo de valor no agro. Use como referência nas suas peças.
Por fim, registre tudo. O objetivo do piloto não é provar que remoto é ótimo. É aprender onde e como o modelo funciona. É coletar evidência. E evidência verdadeira convence o board, os sócios e a rede de distribuição. Alguns pontos finais, diretos:
- Piloto bem desenhado reduz risco.
- Misturar roles remotos e locais funciona melhor que extremos.
- Métricas claras e feedback qualitativo são cruciais.
- Escale devagar, com governança.
Não subestime a resistência cultural. Haverá dúvidas internas. Afinal, campo sempre foi presença. Responda com dados, documente os processos que funcionam, e mantenha canais de apoio local. Faça isso e você terá um caminho seguro para testar o remoto total. Risco controlado. Aprendizado real. E se der certo, vantagem competitiva real.
Quer fazer parte da maior comunidade de profissionais de agromarketing do Brasil? Inscreva-se e acelere sua carreira com mentoria prática.
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Sobre
Mentoria com Ben Martin Balik: programa de formação e apoio estratégico para analistas e gestores de agromarketing, com módulos sobre estruturação de processos remotos, criação de dashboards de performance, playbooks de comunicação técnica e roteiro para pilotos. O mentor oferece sessões quinzenais, templates operacionais e acompanhamento na implementação do piloto de 90 dias.


